The Theory of Everything

Acredito que boa parte destes que me leem devam ter conhecimento do filme inspirado na vida de Stephen Hawking, o renomado físico, denominado A Teoria de Tudo (do inglês, The Theory of Everything). O presente texto é de fato uma resenha e também aborda a ambição de Hawking e outros tantos físicos em conectar todas as interações fundamentais da natureza em um modelo teórico unificado, entretanto não é ao filme que me refiro, mas sim à obra musical homônima.

capa
Arte da capa pelo belga Jef Bertels

Lançado em 2013, The Theory of Everything é o oitavo album do ambicioso (e exitoso) projeto Ayreon, idealizado pelo neerlandês Arjen A. Lukassen. Como os demais álbuns, trata-se de obra conceitual estruturada em torno de uma variedade de personagens, cada um levando a voz de um músico convidado, alternando entre sumidades do mundo do metal e revelações da cena mundial anglófona.

Para se ter uma noção da magnitude do projeto, Ayreon já recebeu as vozes de Bruce Dickinson (Iron Maiden), Russel Allen (Symphony X), Hansi Kürsh (Blind Guardian), Floor Jansen (After Forever e Nightwish), Timo Kotipelto (Stratovarius), dentre muitos outros. Aliás, caso viva no mundo da Lua não reconheça nenhum desses nomes, recomendo fortemente que se aventure em clicar nos links indexados.

 A obra em questão, também por si só monumental, é estruturalmente dividida em quatro partes, duas em cada disco do album duplo, que funcionam como núcleos isolados e podem ser ouvidas separadamente (um recomendação dada, inclusive, pelo próprio Arjen). Ao todo, o album soma quarenta e duas faixas com duração de 1:29:54.

Quanto a trama, The Theory of Everything desenreda-se a partir da história de um jovem debilitado intelectualmente, que se revela, na realidade, um Prodígio (Tommy Karevik). O Pai (Michael Mills), físico obcecado pela Teoria Unificadora, o pretere e o negligencia durante sua infância até a descoberta de seu talento, ao passo que sua Mãe (Cristina Scabbia) o cobre de amor incondicional e tenta protege-lo.

Na extensão do núcleo principal, aparecem o Professor (JB), que descobre o “dom para os números” do jovem, vendo aí uma oportunidade de dividir o seu sonho, além do Rival (Marco Hietala) que não aceita quem faça frente a si e do par romântico do protagonista, uma afetuosa Garota (Sara Squadrani) que o aceita por quem ele é. O Psiquiatra (John Wetton) que o diagnostica como sendo um savant tem também importante papel, destrinchando as vicissitudes de sua condição.

Psiquiatra:

I know it’s hard to find the words / Eu sei que é difícil achar as palavras
But tell me all about your world / Mas me conte tudo sobre seu mundo
Do you struggle to adapt? / Você luta (sofre) para se adaptar?
Do you feel detached? / Você se sente desligado?

Prodígio:

It seems I’m always out of place / Parece que eu estou sempre deslocado
Like some alien machine / Como uma máquina alienígena
I never know how I should be / Eu nunca sei como devo ser
Or what to feel / Ou o que sentir
Or what is real / Ou o que é real

Algo que me atraiu no projeto desde as primeiras faixas é a forma que cada intérprete encarna seu personagem, sendo escolhido e tutorado cuidadosamente para o papel por Arjen e tendo em torno de si, quase como uma aura, arranjos instrumentais específicos que exploraram as sutilezas e explosões de seus vocais. A Garota, por exemplo, costuma ser acompanhada de violinos, enquanto o Rival puxa mais a percussão e acordes de guitarra.

Entretanto, por mais bem amarrados que sejam os arranjos musicais, contando inclusive com nomes de primeira grandeza nos teclados, juntando os solos de Keith Emerson, Rick Wakeman e Jordan Rudess, além do virtuoso Steve Hackett na guitarra solo, a história que eles revelam é o que me atraiu e também deverá ser capaz de seduzir ou ao menos aguçar a curiosidade mesmo dos menos experimentados no mundo do metal e do rock progressivo.

Buscar uma Teoria de Tudo, uma “razão para viver”, será a força que guiará os personagens a desafiar os limites da ciência e os seus próprios, sejam ético e morais dentro daquilo que é certo e válido para consecução de seus objetos ou os de âmbito sentimental, de até onde se é possível suportar uma mágoa. Como um farol, símbolo da ciência e ilustração de capa do album, o Prodígio guiará os demais personagens em suas jornadas de descoberta e, caso permitir, o levará à uma experiência sensorial sui generis na contação de histórias.

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