Diário de Greve #1

No dia 13/03, em assembléia convocada pela APEOESP, sindicato da categoria, realizado no vão livre do MASP, os professores da rede estadual de São Paulo optaram pela greve à partir dessa segunda-feira (16/03) – mas a vida seguiu como se nada tivesse acontecido.

Hoje na escola, portanto, mais do mesmo: professores divididos e um misto de indiferença, choque e atordoamento nos adolescentes, todos sentindo a situação do ensino público como precária e aviltante, mas não se enxergando na solução do problema. Pros alunos, legal seria ter greve pra ter aula vaga; pros professores, vale a lei do mínimo esforço, fingir de morto, pois “é assim que é e sempre será”

O ímpeto para a mobilização, por mais que autêntico e sincero, parece cair cedo ou tarde na vala do senso comum.

Usei o tempo da aula pra falar da greve, das manifestações de fim de semana, perguntar a opinião dos alunos (e dos professores, no intervalo), falar mas também ouvir, imaginando que estar lá seria melhor do que me entocar em casa sem proposta e sem rumo, mas saí de lá sem saber. Afinal, que sei eu do mundo, um professor ingressante, com um ano de carreira?

Já em casa, custei a escrever esse pequeno texto que vai de nada a lugar nenhum, talvez refletindo o rumo das mobilizações dos professores nos últimos anos. Agora, tenho provas por corrigir, textos da faculdade por ler e um desgosto imenso me corroendo o peito, porque adoro o que faço, mas desprezo o que é feito de mim.

Espero dias melhores.

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