15/03

Minhas humildes impressões sobre o ato de domingo.

Milhares da pessoas nas ruas, bandeiras em punho, marcha ordeira e pacífica gritando palavras de ordem. O protesto foi feito num domingo, trajeto negociado com a PM e até mesmo com a Federação Paulista de Futebol para não atrapalhar.

Uma festa, sem dúvida, e não faltaram os abadás (desde a amarelinha da corruptíssima CBF pra ornar com a faixa contra a corrupção até camisa em favor de Aécio que fazia um protesto gourmet, de camarote, acenando de seu apê no RJ). Ao escurecer o povo de bem se encaminhava para suas residências porque amanhã é dia de trabalhar.

Se eu fosse chefe do executivo, não estaria preocupado, deputado e senador, menos ainda. Se eu fosse juiz então… minha reação seria irrelevante, pois o poder jurídico é invisível a maior parte do tempo. O tripé da República (sim, são três poderes, meu amigo) solavanca mas continua firme e forte.

Foi uma manifestação que se preocupou em não incomodar, em não causar, vejam só! Não só isso, foi vaidosa, quis ser vistosa pra cobertura jornalística da sociedade de espetáculo que nos tornamos. E vocês ficaram muito bonitos aqui no meu monitor, Globonews adorou, Jabour deve ter tido orgasmos múltiplos, viva o Brasil que cansou e é contra “tudo isso o que está aí!”.

Não nego o fenômeno de massa que assisti, as muitas pessoas nas ruas, a crise institucional e falta de uma sensação de representatividade por parte do povo que a Constituição Cidadã anuncia como a fonte de todo o poder de nossa República. Porém…

Um manifestante que não quebra a ordem, e nem o deseja, uma manifestação que é aplaudida (inclusive pela própria presidenta!) e não tem pauta sólida, tem o sórdido destino de morrer como manchete de jornal, como memória de uma tarde ensolarada passada na Paulista. Ou pior! Tornar-se massa de manobra de algum projeto de reforma política elaborado por parlamentares investigados por um escândalo de corrupção que o próprio manifestante propugna como “o maior da história!”.

Mudar mudar, para que tudo continue igual, o mote continua o mesmo. Sou crítico às medidas adotadas pelo governo federal, mas sou ainda mais crítico daquele que quer fazer política só em um fim de semana pra não atrapalhar a rotina… e transforma política em taboo, em senso comum e frases feitas, nos outros 364 dias do ano.

Que se faça da política (e da auto-crítica, por favor!), uma prática cotidiana, do contrário estamos condenados a repetir a história de 1964, dessa vez como farsa.

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